Novo teto de juros do rotativo: o que muda para o consumidor?

Entenda como a regra pode impactar seu bolso e o uso do cartão de crédito

Atualizado em maio 24, 2025 | Autor: Ivan Martins
Novo teto de juros do rotativo: o que muda para o consumidor?

O uso do cartão de crédito já faz parte da rotina financeira da maioria dos brasileiros. Ele é prático, facilita o parcelamento de compras e muitas vezes é a única alternativa para quem precisa de crédito rápido. No entanto, quando a fatura não é paga integralmente, entra em cena o temido crédito rotativo, conhecido pelas taxas de juros mais altas do mercado.

Para tentar frear esse problema, o Banco Central definiu um novo teto de juros para o rotativo. Mas afinal, o que isso muda na sua vida?

Neste artigo, vamos explicar o que é o crédito rotativo, o que diz a nova regra, quais os impactos práticos para o consumidor e como você pode se proteger para não cair em uma bola de neve de dívidas.

Continue a leitura!

O que é o crédito rotativo do cartão de crédito?

Antes de tudo, é importante entender do que estamos falando. O crédito rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura do cartão de crédito até o vencimento.

Em vez disso, ele paga o valor mínimo (ou qualquer valor inferior ao total), e o saldo restante entra no rotativo, ou seja, vira uma dívida financiada com juros.

Essa modalidade é uma das mais caras do sistema financeiro. Segundo dados do Banco Central, os juros do rotativo podem ultrapassar 400% ao ano.

Isso significa que uma dívida pequena pode se transformar em um grande problema em poucos meses.

O que mudou com o novo teto de juros do rotativo?

Em janeiro de 2024, entrou em vigor a Lei nº 14.690/2023, que determina o teto de juros do crédito rotativo e também do parcelamento de fatura.

A nova regra foi uma resposta às críticas sobre os juros abusivos cobrados pelos bancos nessa modalidade.

O que diz a nova regra?

A lei estabelece que os juros cobrados no rotativo e no parcelamento da fatura não podem ultrapassar o valor original da dívida.

Em outras palavras, se você devia R$ 500 no cartão e entrou no rotativo, os juros, multas e encargos não podem ultrapassar mais R$ 500. Isso cria um limite de 100% sobre o valor principal.

Por que essa mudança foi feita?

O objetivo é claro: evitar o superendividamento. Antes, muitas pessoas entravam no rotativo e acabavam pagando, em pouco tempo, três ou quatro vezes o valor original da dívida.

Com o teto, a dívida deixa de crescer indefinidamente, o que traz um pouco mais de previsibilidade e justiça para o consumidor.

Como essa mudança afeta o consumidor na prática?

Agora que você já entendeu a nova regra, é hora de ver como ela impacta o seu bolso.

A seguir, listamos os principais efeitos práticos dessa mudança para o consumidor.

1. Dívidas mais controladas

Com o teto de 100% nos juros, a dívida não cresce de forma descontrolada. Isso ajuda o consumidor a ter mais clareza sobre quanto, no máximo, ele terá que pagar caso não consiga quitar a fatura integralmente.

2. Maior incentivo ao pagamento à vista

Apesar do limite de juros, o crédito rotativo continua sendo caro. Os bancos continuam aplicando taxas altas dentro desse limite. Portanto, pagar a fatura integral ainda é a melhor escolha, tanto para evitar encargos quanto para manter o nome limpo.

3. Novas políticas dos bancos

Para se adaptar à nova regra, os bancos podem mudar sua forma de operar. Já há relatos de instituições financeiras que estão diminuindo o limite de crédito para alguns clientes ou oferecendo menos parcelamento sem juros. Isso porque, com o teto, o risco para os bancos aumentou, e eles estão buscando formas de se proteger.

4. Possível migração para outros tipos de crédito

Outra tendência é a oferta de crédito pessoal com juros mais baixos como alternativa ao rotativo. Pode ser uma boa ideia comparar as opções caso você não consiga pagar a fatura integral, mas ainda assim precise de um prazo maior.

O que o consumidor deve fazer diante da nova regra?

Apesar da boa notícia que é o limite nos juros do rotativo, isso não significa que está tudo resolvido. O consumidor precisa continuar atento para não cair em armadilhas.

Veja algumas dicas práticas:

1. Evite o rotativo sempre que possível

Mesmo com o teto, o rotativo continua sendo uma das piores formas de crédito. Se não for possível pagar a fatura completa, tente negociar o parcelamento com o banco ou buscar um empréstimo pessoal com juros menores.

2. Organize seu orçamento

Um bom planejamento financeiro é o melhor aliado contra o endividamento. Tenha clareza sobre quanto entra e quanto sai do seu bolso. Isso evita surpresas no fim do mês e ajuda a manter a fatura do cartão sob controle.

3. Use o cartão com responsabilidade

Evite parcelar compras em muitas vezes e sempre avalie se realmente precisa daquele gasto. Cartão de crédito não é extensão da sua renda. Usá-lo de forma consciente é essencial para manter as finanças saudáveis.

4. Negocie sua dívida se necessário

Se você já está enrolado com o cartão de crédito, procure renegociar a dívida com o banco. Muitas instituições oferecem condições especiais para quem deseja limpar o nome.

Assim, com o novo teto, os acordos podem se tornar mais vantajosos.

A nova regra é positiva, mas não resolve tudo

Por fim, o novo teto de juros do rotativo é um passo importante na proteção do consumidor. Ele traz mais transparência, reduz o risco de dívidas impagáveis e pressiona o sistema financeiro a repensar suas práticas.

No entanto, a responsabilidade financeira continua sendo essencial.

O cartão de crédito pode ser um aliado, mas também pode virar um vilão.

Por isso, saber usar, acompanhar os gastos e evitar o rotativo são atitudes que fazem toda a diferença no seu bem-estar financeiro.

Ademais, se você já teve problemas com o cartão ou está tentando entender melhor como se organizar, aproveite e confira outros conteúdos aqui no nosso blog.

Estamos sempre trazendo dicas práticas para te ajudar a cuidar melhor do seu dinheiro!