Milhas em maio: ainda valem a pena ou o cashback está vencendo a disputa?

Milhas ainda podem render bem, mas o cashback ganha força pela praticidade e pelo retorno direto no bolso

Atualizado em maio 20, 2026 | Autor: Ivan Martins
Milhas em maio: ainda valem a pena ou o cashback está vencendo a disputa?

Logo no primeiro olhar, a pergunta “milhas ou cashback” parece simples. Afinal, de um lado está a promessa de viajar pagando menos, trocar pontos por passagens, fazer upgrades e aproveitar promoções de transferência bonificada. Do outro, aparece o cashback, direto, prático e sem muita conta: você compra, recebe uma parte do dinheiro de volta e usa como quiser. Porém, quando olhamos com mais calma para o mês de maio, a disputa fica bem mais interessante.

Maio costuma ser um mês de reorganização financeira para muita gente. O ano já engrenou, as contas do começo do ano ficaram para trás, o Dia das Mães movimenta o comércio, as férias de julho começam a entrar no radar e muitos consumidores passam a olhar para o cartão de crédito com mais estratégia.

Nesse cenário, tanto as milhas quanto o cashback podem fazer sentido. No entanto, a melhor escolha depende menos da propaganda do banco e mais do seu perfil real de consumo.

Eles ainda podem entregar ótimo valor

Durante muito tempo, os programas de milhas dominaram o imaginário de quem queria “tirar vantagem” do cartão de crédito. E, de fato, eles ainda podem entregar ótimo valor, principalmente para quem viaja, acompanha promoções, entende o funcionamento dos programas e consegue planejar com antecedência.

Ainda assim, o jogo mudou. As passagens ficaram mais dinâmicas, os programas alteraram regras, alguns cartões reduziram benefícios e muita gente percebeu que acumular pontos sem estratégia pode virar apenas uma sensação de vantagem.

Ao mesmo tempo, o cashback cresceu justamente porque fala uma língua mais simples. Ele não exige que o consumidor entenda tabela de resgate, validade de pontos, tarifa de embarque, transferência entre programas ou cotação do dólar. Além disso, o dinheiro de volta combina com um momento em que o brasileiro está mais atento ao orçamento. Quando a renda aperta, um benefício claro, previsível e fácil de usar ganha força.

Portanto, a resposta não é que as milhas morreram nem que o cashback venceu para todo mundo. A resposta mais honesta é: as milhas ainda valem a pena para quem sabe usar; já o cashback tende a vencer para quem quer simplicidade, liquidez e menos risco de perder valor no caminho.

O que mudou na disputa entre milhas e cashback

Nos últimos anos, o consumidor brasileiro passou a usar mais meios eletrônicos de pagamento, especialmente o cartão de crédito. Isso aumentou o interesse por benefícios associados ao cartão, como pontos, milhas, descontos e dinheiro de volta. Porém, com mais opções no mercado, também ficou mais difícil saber qual benefício realmente compensa.

O cashback ganhou espaço porque oferece uma recompensa imediata e fácil de entender. Se o cartão devolve 1% de uma compra de R$ 1.000, o consumidor sabe que recebeu R$ 10. Pode parecer pouco, mas é concreto. Além disso, não depende de encontrar passagem, esperar promoção ou entender a política de um programa de fidelidade.

As milhas, por outro lado, funcionam melhor quando o consumidor transforma pontos em algo de maior valor. Uma passagem aérea bem resgatada pode render mais do que um cashback comum. Entretanto, isso exige planejamento. Se a pessoa acumula milhas e depois troca por produtos caros em uma loja parceira, por exemplo, talvez receba um valor bem menor do que imaginava.

Em outras palavras, as milhas são uma ferramenta mais poderosa, mas também mais trabalhosa. O cashback é menos sofisticado, porém mais previsível.

Milhas ainda valem a pena?

Sim, as milhas ainda valem a pena, mas não para qualquer pessoa e nem em qualquer cartão. Elas funcionam melhor para quem tem alguns hábitos bem definidos: paga a fatura integral, concentra gastos em um bom cartão, viaja pelo menos uma ou duas vezes por ano, acompanha promoções e não deixa pontos vencerem.

Além disso, quem usa milhas precisa entender que nem todo ponto tem o mesmo valor. Um ponto parado em um programa pode valer pouco. O mesmo ponto, transferido com bônus e usado em uma passagem estratégica, pode valer muito mais. Por isso, a grande vantagem das milhas está na combinação entre acúmulo, promoção e resgate inteligente.

Por exemplo, uma pessoa que compra uma passagem de R$ 1.200 usando 30 mil milhas obtém um valor aproximado de R$ 0,04 por milha, antes de considerar taxas. Já se ela usa as mesmas 30 mil milhas para trocar por um produto que custa R$ 450, cada milha vale apenas R$ 0,015. A diferença é enorme.

Portanto, milhas valem a pena quando o consumidor consegue extrair valor acima do cashback que receberia no mesmo gasto. Caso contrário, elas perdem competitividade.

O maior erro de quem acumula milhas

O maior erro é achar que milha é sempre vantagem. Não é. Milha tem prazo de validade, sofre mudanças de regra e pode perder valor se o programa altera a quantidade necessária para resgatar passagens. Além disso, algumas pessoas pagam anuidade alta ou mensalidade de clube de pontos sem calcular se o benefício compensa.

Outro erro comum é comprar mais no cartão apenas para acumular pontos. Esse comportamento pode ser perigoso. Nenhuma milha vale a pena se a pessoa perde o controle da fatura. Aliás, quando há pagamento parcial, atraso ou entrada no crédito rotativo, qualquer benefício desaparece rapidamente.

Por isso, a regra de ouro é simples: cartão com milhas só faz sentido para quem paga a fatura total e usa o cartão como meio de pagamento, não como extensão da renda.

Cashback está vencendo por causa da simplicidade?

Em muitos casos, sim. O cashback ganha justamente porque resolve uma dor real: o consumidor quer saber quanto ganhou e quando poderá usar. Esse benefício conversa bem com quem não viaja com frequência, não quer acompanhar promoções ou prefere reduzir gastos do dia a dia.

Além disso, o cashback pode ser mais democrático. Uma pessoa que gasta pouco no cartão talvez demore muito para juntar milhas suficientes para uma passagem. No entanto, ela consegue aproveitar pequenos valores de cashback todos os meses. Mesmo que o retorno seja modesto, ele aparece de forma clara.

Outro ponto importante é a flexibilidade. O dinheiro de volta pode ajudar a abater a fatura, comprar mercado, pagar uma conta ou reforçar a reserva financeira. Já as milhas costumam entregar mais valor quando usadas dentro de um ecossistema específico, principalmente viagens.

Assim, o cashback vence quando o consumidor valoriza liberdade, previsibilidade e baixa manutenção.

O que os dados recentes mostram sobre a disputa

Indicador recente Dado informado O que isso sinaliza para o consumidor
Valor transacionado com cartões no Brasil no 1º trimestre de 2026 R$ 1,1 trilhão O cartão segue muito presente no consumo, então escolher bem o benefício faz diferença.
Valor transacionado no cartão de crédito no 1º trimestre de 2026 R$ 810,2 bilhões O crédito continua sendo a principal modalidade para quem busca pontos, milhas ou cashback.
Transações com cartões no 1º trimestre de 2026 11,7 bilhões Há muitas compras pequenas e recorrentes que também podem gerar retorno.
Pontos/milhas acumulados no 2º trimestre de 2025 245,3 bilhões O mercado de fidelidade segue forte e ainda movimenta muito saldo.
Pontos/milhas resgatados no 2º trimestre de 2025 216,2 bilhões Os consumidores estão usando mais os pontos, não apenas acumulando.
Pontos/milhas resgatados destinados a passagens aéreas no 2º trimestre de 2025 74,8% Viagens continuam sendo o uso mais relevante das milhas.
Taxa de pontos/milhas expirados no 2º trimestre de 2025 12% O risco de perder pontos existe, mas caiu entre os usuários acompanhados pela entidade.
Passageiros em voos domésticos e internacionais no Brasil em 2025 129,6 milhões A demanda por viagens segue aquecida, o que mantém as milhas relevantes.
Fonte dos dados da tabela: Abecs, ABEMF e Ministério de Portos e Aeroportos/ANAC.

Como comparar milhas e cashback de verdade

Para saber qual opção compensa, o consumidor precisa transformar tudo em dinheiro. Essa é a forma mais justa de comparar benefícios diferentes.

Imagine um cartão que oferece 1% de cashback. Nesse caso, cada R$ 1.000 gastos geram R$ 10 de volta.

Agora, imagine um cartão que acumula 2 pontos por dólar gasto. Se o dólar da fatura estiver em R$ 5,50, uma compra de R$ 1.000 gera cerca de 363 pontos.

A partir daí, a pergunta muda: quanto esses 363 pontos valem na prática? Se cada milha render R$ 0,02 em um resgate, o benefício equivale a cerca de R$ 7,26. Nesse caso, o cashback de R$ 10 vence. Porém, se cada milha render R$ 0,04 em uma boa passagem, o benefício sobe para cerca de R$ 14,52. Nesse cenário, as milhas vencem.

Percebe a diferença? Não basta olhar apenas para “2 pontos por dólar” ou “1% de cashback”. É preciso calcular o valor final que volta para o seu bolso.

A fórmula simples para decidir

Use esta conta:

Valor do benefício = quantidade de pontos ou cashback recebido ÷ valor gasto

No cashback, essa conta já vem pronta. Se o cartão devolve 1%, o retorno é 1%. Nas milhas, você precisa estimar o valor do resgate. Para isso, divida o preço da passagem em reais pela quantidade de milhas usadas. Depois, compare esse resultado com o retorno do cashback.

Se o retorno estimado das milhas superar o cashback, elas podem valer a pena. Caso contrário, o dinheiro de volta provavelmente será melhor.

Maio favorece milhas ou cashback?

Maio pode favorecer os dois, mas por motivos diferentes. Para quem compra presentes, paga escola, mercado, combustível, academia, streaming e outras despesas no cartão, o cashback tende a ser interessante porque devolve parte do gasto rapidamente. Além disso, como muitas famílias já começam a planejar férias de julho, ter dinheiro disponível pode ajudar mais do que acumular pontos sem destino definido.

Por outro lado, maio também pode ser um bom mês para quem acompanha promoções de programas de fidelidade. Algumas instituições fazem campanhas em datas comerciais, e transferências bonificadas podem melhorar o valor das milhas. Ainda assim, o consumidor precisa tomar cuidado para não transferir pontos só porque há bônus. O ideal é transferir quando existe um plano de uso.

Portanto, em maio, o cashback costuma ser melhor para quem quer organizar o orçamento do mês. Já as milhas podem ser melhores para quem está planejando uma viagem específica e sabe aproveitar oportunidades.

Quando escolher milhas

As milhas fazem mais sentido quando você viaja com alguma frequência, tem flexibilidade de datas e aceita pesquisar. Elas também podem ser interessantes para quem compra passagens para a família, faz viagens internacionais ou consegue emitir bilhetes em períodos estratégicos.

Além disso, cartões com boa pontuação podem compensar para quem concentra gastos altos, desde que a anuidade seja compatível. Nesse caso, o consumidor deve colocar na conta todos os custos: anuidade, mensalidade de clube, taxa de transferência, tarifa de embarque e eventuais custos para manter pontos ativos.

Outro perfil que aproveita bem milhas é o de quem gosta de planejamento. Essa pessoa monitora promoções, sabe esperar, compara resgates e não deixa pontos parados sem motivo. Para ela, milhas não são um brinde; são uma ferramenta.

Quando escolher cashback

O cashback costuma ser melhor para quem quer praticidade. Ele funciona bem para quem não viaja com frequência, não quer estudar programas de fidelidade ou prefere um benefício que aparece de forma direta.

Também faz sentido para quem tem gastos menores no cartão. Se a pessoa demora dois anos para juntar pontos suficientes para uma passagem, talvez seja melhor receber cashback mensalmente. Afinal, dinheiro hoje pode ter mais utilidade do que pontos incertos no futuro.

Além disso, o cashback combina com quem está em fase de organização financeira. Usar o dinheiro de volta para abater a fatura, formar uma pequena reserva ou reduzir gastos fixos pode ser mais saudável do que perseguir uma viagem que talvez nem esteja nos planos.

O papel da anuidade na decisão

A anuidade pode mudar completamente o resultado. Um cartão que oferece muitas milhas, mas cobra uma anuidade alta, precisa entregar retorno suficiente para compensar. Caso contrário, o benefício vira ilusão.

Por exemplo, se uma pessoa paga R$ 800 de anuidade e gera R$ 500 em benefícios ao longo do ano, ela perdeu dinheiro. Já se o cartão cobra anuidade, mas entrega sala VIP, seguros, boa pontuação e milhas usadas com inteligência, a conta pode fechar.

No cashback acontece o mesmo. Um cartão que devolve 1% e cobra R$ 400 por ano exige pelo menos R$ 40.000 em gastos anuais apenas para empatar. Portanto, antes de escolher, é essencial comparar o retorno líquido, não apenas o benefício anunciado.

Cuidado: benefício nenhum compensa dívida no cartão

Esse ponto merece atenção especial. Milhas e cashback só fazem sentido quando a fatura é paga integralmente. Se o consumidor entra no rotativo, atrasa pagamento ou parcela a fatura com juros, o custo financeiro supera qualquer recompensa.

O Banco Central mantém séries e relatórios sobre juros do cartão de crédito, e essa modalidade segue entre as mais caras do mercado para pessoas físicas. Por isso, o cartão deve ser usado como ferramenta de organização e pagamento, não como solução para falta de dinheiro.

Na prática, não adianta ganhar R$ 30 de cashback ou acumular 2 mil milhas se, ao mesmo tempo, você paga juros altos por não conseguir quitar a fatura. O benefício vira detalhe diante do prejuízo.

Então, quem vence a disputa?

O cashback está vencendo no quesito simplicidade. Ele é mais claro, mais previsível e mais fácil de usar. Para boa parte dos consumidores brasileiros, essa praticidade pesa muito.

No entanto, as milhas ainda vencem no potencial de valor. Quando bem usadas, elas podem superar o cashback com folga, especialmente em passagens aéreas. O problema é que esse resultado não vem automaticamente. Ele depende de estratégia.

Portanto, a melhor escolha não é universal. Para quem quer menos trabalho, cashback. Para quem viaja, planeja e calcula, milhas e para quem não paga a fatura integral, nenhum dos dois: a prioridade deve ser sair dos juros e reorganizar o orçamento.

Em maio, escolha o benefício que combina com a sua vida real

A disputa entre milhas e cashback não precisa virar uma briga de torcida. Na verdade, ela deve ser uma decisão prática. O melhor benefício é aquele que você usa bem, entende e consegue transformar em economia real.

Em maio, o cashback tende a brilhar para quem quer aliviar gastos do mês, organizar a fatura e ter retorno simples. Já as milhas continuam valiosas para quem planeja viagens, acompanha promoções e sabe calcular o valor de cada resgate.

Antes de trocar de cartão ou entrar em um clube de pontos, faça três perguntas: eu viajo com frequência?

Eu tenho paciência para acompanhar promoções? Eu pago a fatura integral todos os meses? Se a resposta for “não” para a maioria delas, o cashback provavelmente será mais adequado. Se a resposta for “sim”, as milhas ainda podem render ótimas oportunidades.

No fim, o cartão ideal não é o que promete mais. É o que combina com seu comportamento financeiro, respeita seu orçamento e ajuda você a gastar melhor.