Como o governo tem influenciado a inclusão financeira no país

Como o governo impulsiona o acesso aos serviços financeiros no Brasil

Atualizado em novembro 24, 2025 | Autor: Ivan Martins
Como o governo tem influenciado a inclusão financeira no país

A inclusão financeira é um tema central quando falamos sobre democratização do acesso aos serviços bancários, crédito, pagamentos e poupança. No Brasil, o papel do Estado e de entidades públicas tem sido decisivo para conectar milhões de pessoas ao sistema financeiro formal — e, consequentemente, abrir caminho para uma vida econômica mais organizada e autônoma.

Neste post explicamos como o governo tem criado, dirigido e regulado iniciativas para promover a inclusão financeira, quais os principais mecanismos utilizados, quais avanços já se observaram e quais são os desafios que ainda persistem.

A ideia é oferecer uma visão clara, em linguagem acessível, para que você — leitor, consumidor ou interessado em finanças pessoais — entenda como esse processo impacta seu dia a dia.

O que entendemos por inclusão financeira

Antes de mais nada, é importante definir o que significa “inclusão financeira”. Em termos práticos, trata-se de garantir que pessoas e empresas tenham acesso e uso efetivo de serviços financeiros úteis, acessíveis e sustentáveis — como conta corrente ou de pagamento, meios de transferir dinheiro, crédito, seguros e poupança.

Ou seja: não basta apenas abrir uma conta; o ideal é que o usuário consiga usar bem essa conta, com segurança e autonomia.

Considerando isso, a atuação governamental tem duas frentes principais: ampliar o acesso (novas contas, novos canais) e melhorar a qualidade/uso desses serviços (educação financeira, regulação, inclusão de crédito).

A seguir, vamos detalhar como o governo brasileiro tem feito isso.

Principais políticas e instrumentos governamentais

Regulação e atuação do Banco Central do Brasil (BCB)

Uma parte fundamental da inclusão financeira é ampliar canais, reduzir burocracia e estimular inovação — e o BCB tem liderado esse esforço. Por exemplo, o site do BCB informa que suas iniciativas incluem “promover plataformas digitais, simplificar procedimentos e reduzir a burocracia”.

Além disso, o Brasil aderiu ao Global Partnership for Financial Inclusion (GPFI), o mecanismo do G20 para promover inclusão financeira internacionalmente; isso indica que o país não apenas segue políticas nacionais, mas também se inspira em boas práticas globais.

Dessa forma, há um arcabouço regulatório que favorece, por exemplo, fintechs, correspondentes bancários, contas digitais, o que favorece o avanço da inclusão.

Inovação digital – o papel do PIX

Um dos marcos mais visíveis desse processo é a criação e massificação do PIX — sistema de pagamentos instantâneos, que permite transferências rápidas, 24h, com baixo custo.

Por exemplo: segundo relatório, “75 % da população já fez uma transferência via PIX” e “hoje 84% dos adultos brasileiros têm conta bancária”.

Esse tipo de mecanismo ajuda a incluir pessoas que antes ficavam à margem porque não tinham conta bancária ou porque os serviços tradicionais eram caros/difíceis. Ao reduzir barreiras, o Estado colabora efetivamente para a ampliação do acesso.

Programas de transferência e digitalização de benefícios públicos

Outro instrumento importante é o próprio uso de benefícios sociais que, para serem pagos, utilizam contas digitais ou plataformas de pagamento. Isso obriga, de certa forma, a pessoa a se cadastrar no sistema financeiro ou em fintechs. Por exemplo, o auxílio emergencial da pandemia foi depositado via conta digital em muitos casos, contribuindo para que pessoas antes “desbancarizadas” entrassem no sistema.

Além disso, o governo do Brasil anunciou em 2025 um projeto de US$ 1 bilhão junto ao World Bank para melhorar estabilidade financeira, inclusão social e sustentabilidade — o que reforça a abordagem institucional do Estado no tema.

Dados que mostram o cenário da inclusão financeira no país

Para entender melhor o impacto das políticas, vale observar alguns dados reais. A tabela abaixo resume alguns indicadores relevantes:

Indicador Valor no Brasil Fonte
Adultos com conta bancária ou de pagamento 84% dos adultos brasileiros têm conta bancária * Relatório BCB 2024
População que já fez transferência via PIX 75% da população já realizou operação pelo PIX Portal Gov.br – G20
Brasileiros “desbancarizados” em 2023 Aproximadamente 4,6 milhões sem conta ou serviços básicos Instituto Locomotiva
Relação de usuários de contas/digitalização durante pandemia Redução de 73% da parcela de excluídos com ajuda de contas digitais e programas públicos Ebury blog

* “conta bancária ou de pagamento” — o indicador inclui contas simples ou contas digitais.

Esses números demonstram dois fatos: primeiro, que houve um avanço significativo da inclusão financeira no Brasil; segundo, que ainda há lacunas a serem preenchidas — especialmente no uso mais completo dos serviços financeiros, educação e crédito acessível.

Como o governo “influencia” diretamente a inclusão financeira

Criando incentivos e reduzindo barreiras de acesso

O Estado atua ao promover legislações que tornem mais fácil para fintechs, bancos e instituições oferecerem contas de entrada, com menos exigências ou tarifas menores.

Ao facilitar a criação de contas digitais, correspondentes bancários e canais de atendimento em áreas remotas, o governo amplia fisicamente e digitalmente o acesso. Também, ao exigir ou incentivar serviços que atendam grupos vulneráveis, ele reduz a exclusão.

Além disso, o uso de benefícios públicos via contas digitais obriga, indiretamente, que os beneficiários possuam relacionamento com instituições financeiras — o que acaba “levando” a inclusão.

Regulamentando para garantir qualidade e proteção

Não basta que a pessoa tenha uma conta aberta: se ela não souber usar, se os produtos forem inadequados ou se houver riscos elevados (endividamento, tarifas abusivas, falta de transparência), então a inclusão perde valor.

O governo, via BCB e outras entidades, regula práticas de crédito, exige prestação de contas, promove educação financeira e monitora bem-estar financeiro.

Por exemplo, o BCB afirma que a “inclusão de qualidade” (isto é, um uso saudável e sustentável dos serviços financeiros) é tão importante quanto o simples acesso.

Assim, ao atuar no nível de qualidade do serviço, o governo contribui para que a inclusão não gere problemas futuros.

Monitoramento e metas — dados públicos e transparência

Para que as políticas sejam eficazes, é preciso medir resultados. O governo brasileiro disponibiliza dados públicos sobre inclusão financeira — por exemplo, através dos “Dados Abertos – Inclusão Financeira” do BCB.

Esse tipo de transparência não apenas permite que pesquisadores e instituições monitorem o progresso, mas também confere credibilidade às políticas públicas.

Impactos práticos para finanças pessoais e para o cartão de crédito

Para você que trabalha com finanças pessoais ou está analisando seu relacionamento com cartão de crédito, entender como a política pública afeta o seu dia a dia é fundamental.

Acesso mais fácil a conta e pagamentos

Com políticas públicas voltadas à inclusão financeira, você ou outras pessoas de menor renda ou em locais fora dos grandes centros agora têm mais facilidade para abrir contas digitais, usar serviços de pagamento, transferir recursos e receber benefícios.

Isso ajuda a regularizar sua vida financeira, permitir que recebimentos, pagamentos e transações fiquem mais organizados.

Maior oferta de crédito — e necessidade de atenção

Quando mais pessoas entram no sistema financeiro formal, os bancos e instituições vêem novas portas de crédito surgindo — inclusive via canais digitais.

Isso é bom, mas cria atenção: se você tem cartão de crédito ou pensa em obtê-lo, é importante usar com consciência. O governo lembra que inclusão de qualidade exige que o crédito seja usado com responsabilidade.

Logo, a influência estatal está em tornar o sistema mais acessível; o uso, entretanto, depende de você.

Facilitação de benefícios e automatização de processos

Se você recebe benefícios sociais, por exemplo, ou se trabalha em alguma situação que permita transações digitais, a inclusão financeira promovida pelo governo torna mais simples receber, transferir e movimentar esses valores — o que significa menos custos, menos deslocamentos, mais praticidade.

Consequentemente, fica mais fácil acompanhar gastos, planejar jantares, viagens, aplicar milhas ou mesmo usar um cartão de crédito com consciência.

Avanços e desafios que ainda persistem

O que avançou

  • A proporção de adultos com conta bancária aumentou para 84%.

  • O uso de pagamentos digitais cresceu muito com o PIX e outros canais.

  • A regulação está mais voltada à inclusão, ao uso digital e à expansão para regiões remotas.

  • O Estado fortaleceu o papel de agente de transformação, não apenas como regulador, mas como fomentador direto.

O que ainda precisa melhorar

  • Ter uma conta bancária não significa automaticamente que a pessoa usa crédito ou outros serviços financeiros relevantes. Por exemplo, em 2021 apenas cerca de 50 % dos adultos tinham acesso a alguma operação de crédito.

  • A desigualdade regional e de renda ainda se reflete no uso e na profundidade da inclusão: pessoas nas classes D/E ou em regiões Norte/Nordeste têm mais dificuldade de acesso e uso completo dos serviços financeiro.

  • A educação financeira e a proteção ao consumidor ainda precisam evoluir para que o simples acesso não gere endividamento ou uso inadequado.

  • A infraestrutura digital (internet, smartphone) ainda não atinge 100% da população, o que limita a inclusão plena.

Concluindo

Em resumo, o governo brasileiro tem exercido um papel muito relevante na promoção da inclusão financeira — por meio de regulação, inovação digital, programas públicos e monitoramento.

Essas ações criaram ambientes mais favoráveis para que milhões de brasileiros se conectem ao sistema financeiro formal, com implicações diretas nas finanças pessoais, no uso de cartão de crédito, no planejamento e na autonomia.

No entanto, é essencial lembrar que inclusão financeira não termina na abertura de uma conta — ela deve ir além, garantindo uso consciente, educação financeira, crédito adequado e proteção ao consumidor.

Em última análise, embora o Estado influencie fortemente esse cenário, a ação individual — você, leitor — faz a diferença para transformar acesso em vantagem real.